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segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Diário de Anne Frank
De: GabrielBachareli/Matheus
ANNE Frank pertencia a uma família judaica de Frankfort
que, em 1933, fugindo às perseguições do regime hitleriano,
se refugiou na Holanda, onde supunha encontrar a paz e a segurança. Mas, logo depois da
invasão da Holanda pelos alemães, as perseguições aos judeus continuaram ali com tal violência
que os Frank resolveram - mergulhar -, designação que então se dava ao desaparecimento
voluntário de pessoas perseguidas-ou por razões políticas ou por discriminações raciais-e que
passavam a ter uma existência ilegal ou clandestina. Durante dois anos, que abrangem o período
de guerra de 1942 a 1944,
não podem sair à rua e vivem sob a constante ameaça de serem
descobertos pela polícia.
Anne, rapariga em pleno período de desenvoLvimento físico,
esse período delicado e importante na vida de qualquer
adolescente, mas especialmente decisivo quando se tem uma
sensibilidade e uma inteligência como a dela, escrevia com
regularidade um diário, em forma de cartas, a uma amiga
imaginária. Este diário tornou-se não só um dos mais
comoventes depoimentos contra a guerra, contra a injustiça e a crueldade dos homens como,
também, um dos mais puros documentos psicológicos que todos, e sobretudo os que contactam
com gente nova, deviam ler.
Anne não escreveu o seu diário a pensar na publicidade, nem
porque fosse incitada a fazê-lo, mas única e simplesmente
porque tinha de o escrever-para si própria, para - aliviar - o coração, como ela diz várias vezes,
por essa forte necessidade íntima que caracteriza o artista e a que ela não se poderia furtar, nem
que quisesse.
"Quando escrevo sinto um alívio, a minha dor desaparece, a
coragem volta... Ao escrever sei esclarecer todos os meus
pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias".
,Não se trata, portanto-e isto é fundamental-, de uma dessas
produções de menino prodígio, lançado e explorado pela família
comercialmente, mas sim de uma autêntica obra de arte a que
um crítico suíço chamou - uma confissão clássica da
puberdade de hoje, que ultrapassa todos os limites do
circunstancial.
Como é que foi possível escrever-se uma obra destas entre os
treze e os quinze anos de idade? Tão extraordinário caso tem
a sua explicação: o isolamento, os sacrifícios diários, as
angústias, o medo e, principalmente, a morte, a pairar sobre
esta criança de uma inteligência e de um espírito de
observação invulgares, fizeram
com que ela amadurecesse prematuramente e fosse assim, pouco
a pouco, penetrando em regiões que, em circunstâncias normais,
só viria a explorar muito mais tarde
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