Deu-se que o Pedrinho estava jogando bola no jardim e, ao emendar a bola por cima do travessão, a dita foi de contra uma vidraça e despedaçou tudo. Pedrinho botou a bola debaixo do braço e sumiu até a hora do jantar, com medo de ser espinafrado pelo pai.
Quando o pai chegou, perguntou à mulher quem quebrara o vidro e a mulher disse que foi o Pedrinho, mas que o menino estava com medo de ser castigado, razão pela qual ela temia que a criança não confessasse o seu crime.
O pai chamou Pedrinho e perguntou: -Quem quebrou o vidro, meu filho?
Pedrinho balançou a cabeça e respondeu que não tinha a mínima ideia. O pai achou que o menino estava ainda sob o impacto do nervosismo e resolveu deixar para depois.
Na hora em que o jantar ia para a mesa, o pai tentou de novo: -Pedrinho, quem foi que quebrou a vidraça, meu filho? - e, ante a negativa reiterada do filho apelou: - Meu filhinho, pode dizer quem foi que eu prometo não castigar você.
Diante disso, Pedrinho, com a maior cara-de-pau, pigarreou e lascou:
-Quem quebrou foi o garoto do vizinho
-Você tem certeza?
-Juro.
Aí o pai se queimou e disse que, acabado o jantar, os dois iriam ao vizinho esclarecer tudo. Pedrinho concordou que era a melhor solução e jantou sem dar a menor mostra de remorso. Apenas - quando o pai fez ameaça - pedrinho pensou um pouquinho e depois concordou.
Terminado o jantar o pai pegou o filho pela mão e - já chateadíssimo - rumou para a casa do vizinho. Foi aí que Perinho provou que tinha ideias revolucionárias. Virou-se para o pai e aconselhou:
-Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado. Não pergunte nada a ele não. Quando ele vier atender a porta, o senhor vai logo tacando a mão nele.
Bom, gente, essa é a história. É uma das mais legais do livro. Espero que tenham gostado!
~Sabrina~
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